quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

FÓSSEIS MOSTRAM QUE SUL-AMERICANOS E ASIÁTICOS TÊM ANCESTRAL COMUM


 Mauricio de Paiva/Divulgação


A tese foi construída em cima do estudo morfológico de crânios dos homens que estavam em Lagoa Santa (MG) há 10 mil anos, depois comparados aos de indivíduos contemporâneos

 Ciência

Fósseis encontrados no sítio arqueológico de Lagoa Santa, em Minas Gerais, estão ajudando a recontar a história da ocupação da América. Um estudo publicado na revista Science Advances, com base nos resquícios humanos escavados no local, sustenta que alguns povos sul-americanos compartilham um ancestral comum com populações modernas da Ásia, um resultado de múltiplas ondas migratórias. A tese foi construída em cima do estudo morfológico de crânios dos homens que estavam na região mineira há 10 mil anos, depois comparados aos de indivíduos contemporâneos.

 “Trata-se de um estudo de ancestralidade. Igual ao que faríamos com DNA para testar a paternidade de alguém. A diferença é que, aqui, estamos falando de ancestralidade numa escala de tempo de centenas de gerações e em uma perspectiva populacional”, explica o arqueólogo brasileiro André Strauss, professor visitante da Universidade de Tübingen, na Alemanha, e um dos autores do artigo. “Outra diferença fundamental é que não estudamos o DNA. Em vez disso, comparamos a morfologia dos crânios dos grupos do passado com o grupo do presente. Hoje, sabemos que a morfologia do crânio tem um componente genético que permite fazer inferências de ancestralidade”, diz.

Para estudar os fósseis, os pesquisadores fizeram modelos tridimensionais dos crânios. A análise minuciosa de três regiões — abóbada, face e baserevelou que os homens que viviam em Lagoa Santa compartilham um ancestral com populações atuais do nordeste asiático. Os resultados também confirmam alguns estudos genômicos, incluindo aqueles que sugerem uma ligação entre os povos amazonenses e os australásios. Além disso, o trabalho, de acordo com os autores, dá suporte ao uso do formato craniano para fazer descobertas sobre a história de populações antigas quando as pistas de DNA são escassas.

“Por mais sofisticado que seja um método, ele ainda depende dos dados disponíveis para sua aplicação. No caso da América do início do Holoceno, ainda temos muitos poucos dados genéticos”, afirma Strauss. “Nossos esforços nesse momento estão direcionados justamente no sentido de melhorar a disponibilidade dos dados. Afinal, ainda que a morfologia craniana possa ser usada, as informações moleculares é que são os marcadores de ancestralidade por excelência”, reconhece. 

 

 

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