segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DEPUTADA NINA MELO PRESTA HOMENAGEM À CIDADE DE PASSAGEM FRANCA E CRITICA FECHAMENTO DA CLÍNICA SÃO SEBASTIÃO


A deputada estadual Nina Melo
A deputada estadual Nina Melo

Gratidão, é o palavra que traduz o meu sentimento pela Passagem Franca. Diz Nina Melo

 Dep. Nina Melo
Quando ali cheguei, entre passos e tropeços na praça Barão do Rio Branco aprendi a andar, correr, pular, brincar… foi então que vi nossa casa e a Clínica São Sebastião serem erguidas, juntas. E logo tínhamos um novo e definitivo endereço, na rua Siqueira Campos, além de muitos hóspedes/pacientes/clientes/amigos. Lembro que eu achava que a sala da nossa casa, era a recepção da clinica, tb o contrário.

População protestando contra o fechamento da clínica Foto: Leonardo Brandão
A essa altura eu já estudava. Lembro com carinho da tia Carminha, tia Heloisa (in memória), tia Toinha, tia Marileide, Eulália, e tantas outras professoras/tias/amigas que fazem parte da minha vida. E quando voltava da escola, por vezes, não ia direto pra casa, ficava na assim batizada Clínica São Sebastião até minha mãe atender a última consulta, e eu adorava. Rabiscada meus cadernos ao lado dela enquanto via suas mãos competentes, seus olhos atentos e seu coração contente fazer sua arte com a certeza de quem cumpre uma missão. Eu e minhas irmãs adoravamos! Papai saia de máscara e gorro do centro cirúrgico e minha irmã Diana corria pro colo dele pedindo pra ele “tirar aquele cogoco”. E bem cedo aprendi a escrever, já sonhando em fazer receitas, como minha mãe, ou fazer cirurgias, como meu pai, uma seguida da outra, num ritmo frenético que ele mesmo nem percebia. Seguindo sua lei: “De sapato ou de chinelo. Pés descalços ou engravatado. Aqui na Clínica São Sebastião tem preferência quem mais precisa”.

Os anos que se seguiram foram abençoados e felizes. Eu e minhas irmãs dividiamos nossas brincadeiras de boneca, com algodão, gaze e seringa. Fazíamos curativos, conversávamos com as crianças internadas e enfermeiras, e lógico, brincavamos de atender pacientes junto com mamãe. Sempre seguindo aquela lei: “De sapato ou de chinelo…”

As portas e as janelas da nossa casa pareciam sempre prontas a receber chamadas urgentes. Meu pai, minha mãe levantavam na madrugada e quando eu acordava pela manhã, e não os encontrava, sabia que tinha alguém com risco de vida, e que eles ficariam na Clínica até o paciente melhorar.

Nossas noites eram embaladas com histórias, noticiários e prontuários. Nossos dias eram produtivos, estimulantes e tudo estava bem.

Adolescente, saí pra estudar. Passei no vestibular. Formei. Fiz especializações. Trabalhei nos maiores hospitais do país. Mas quando fechava os olhos, eu ouvia meu pai dizendo: “De sapato ou de chinelo…” Voltei!

E não me dei conta que já havia passado mais de 30 anos. Aquilo tudo parecia indestrutível. Mas como não pensar assim? A Clínica São Sebastião foi feita quando não havia nenhum hospital em Passagem Franca e Buriti Bravo, com o objetivo de cuidar da nossa gente de todo o medio-sertao. Depois de tantos governos e tantas crises, meus pais conseguiram mante la de pé, firmes a seus ideais em fazer saúde pública. Engraçado é que eu e minhas irmãs médicas e dentista, tb fazemos e nos dedicamos a saúde pública justa e qualificada.

Pensei que esse dia nunca chegaria (fechar nossa casa/fechar a Clínica São Sebastião da Passagem Franca) parece que formou-se uma ferida no meu peito (dos meus pais e irmãs tb) que só vai cicatrizar quando a Clínica São Sebastião reabrir.

Gratidão a todos de Passagem Franca.

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