Daniel Vorcaro, o homem-bomba

 

Se investigações ligarem o Banco Master ao PCC e os EUA classificarem a facção como terrorista, o caso deixa de ser escândalo local e vira risco jurídico e financeiro global. (Foto: SAP-SP/EFE)

Por, Leonardo Coutinho

CRIME E CORRUPÇÃO

Se Washington, governo dos Estados Unidos da América decidir listar o PCC e o Comando Vermelho, vai listar. E ponto final. Não adianta os defensores dessas organizações crimisosas, espernear em programa de televisão ao vivo, escrever editorial indignado, convocar juristas ou cientistas sociais para ensinar como se deve combater o crime. Isso tudo pode render audiência, clique e palanque. Mas não muda uma vírgula da capacidade soberana americana de agir dentro do seu próprio ordenamento. E não serviu para nada para conter o avanço do PCC e do CV.

O que muda, e muda muito, é a situação de quem eventualmente tenha prestado serviço para essas organizações. É por isso que, nesse contexto, o homem-bomba dessa história talvez não seja Marcola. Pode ser Daniel Vorcaro, mafioso, banqueiro dono do banco Master.

Se a evolução das investigações confirmar que o Banco Master mantinha algum vínculo com o PCC, como sugerem algumas das evidências que vieram à tona, o caso – que tecnicamente já tem jurisdição nos Estados Unidos por ter tocado o sistema financeiro americano – pode adquirir um componente ainda mais grave. [...]

Não seria mais apenas um escândalo bancário brasileiro com ramificações internacionais. Passaria a ser um problema de segurança jurídica e financeira para qualquer um que tenha orbitado, facilitado ou lavado dinheiro para uma das organizações que Washington considera candidatas reais à designação terrorista.[...]

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Fonte: Jornal Gazeta do Povo

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