sexta-feira, 17 de março de 2017

ABSURDO: CARNE PODRE ERA 'MAQUIADA' E VENDIDA NO BRASIL E NO EXTERIOR, DIZ PF



 "QUANDO SE PENSA QUE JÁ VIU DE TUDO QUE É RUÍM NESSE PAÍS CHAMADO BRASIL, SEMPRE APARECE MAIS UMA CASO "TENEBROSO" PARA NOS SURPREENDER" Amaury Carneiro

Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da Operação Carne Fraca, que cumpriu hoje 309 mandados judiciais em seis estados e no Distrito Federal. A ação da Polícia Federal (PF), em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de superintendências federais da Agricultura em vários estados, em um esquema criminoso que liberava licenças e fiscalização de frigoríficos de modo irregular.
Há indícios de que as empresas investigadas, que têm mais de 60% do mercado de carnes no país, tenham vendido até carne com prazo de validade vencido, maquiadas com ácido ascórbico para disfarçar o mau cheiro e embaladas com novo prazo de validade, de acordo com o delegado federal Maurício Moscardi Grillo. As vendas dos alimentos ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas.

Outras irregularidades também foram identificadas, como a utilização de quantidades de carne muito menor do que a necessária na produção dos produtos, complementados com outras substâncias; a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças – no caso desta até cabeças de porcos eram usadas na composição do produto; a 'maquiagem' de carnes estragadas com ácido ascórbico, substância considerada cancerígena; carnes sem rotulagem e sem refrigeração; lotes de frango moídos com papelão e há relatos de que até água era injetada na carne para que o peso aumentasse, além da falsificação de notas de compra de carne. 

De acordo com a PF, a "Carne Fraca" é, em números, a maior apreensão do tipo já realizada pela corporação no país. A investigação, iniciada há quase dois anos, indica que empresas do setor como BRF Foods, proprietária das marcas Sadia e Perdigão, e JBS, dona da Friboi e da Seara, estão entre as envolvidas no crime. Executivos das duas empresas foram presos hoje. De acordo com a Receita Federal e a PF, além dos 309 mandados expedidos pelo Juízo Federal da 14ª Vara Federal de Curitiba, são cumpridos mais de 190 mandados de busca e apreensão em empresas e residências dos principais envolvidos.

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