sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

DESCASO NA EDUCAÇÃO: CRIANÇAS MARANHENSES ESTÃO ATRÁS DO RESTO DO PAÍS

PRISCILA CRUZ -Jornal Pequeno
O Maranhão é um retrato de absoluto descaso com os mais fundamentais direitos humanos. Para falar só de educação, o estado conta com alguns dos piores indicadores em um país que já não tem indicadores muito bons.

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Crianças em sala de aula em certas escolas do Maranhão

Desde cedo, crianças maranhenses estão muito atrás do resto do país. De acordo com a Prova ABC, ao fim do 3º ano do ensino fundamental, só 27,9% delas são proficientes em leitura, 10% em matemática e 13% em escrita. As médias brasileiras são respectivamente 44,5%, 33,3% e 30%. Ou seja: o Maranhão tem menos de metade dos resultados já ruins do país, sendo que essas crianças estão apenas iniciando a trajetória escolar.

Observando a outra ponta, vemos que, no Maranhão, somente 45% dos jovens de 15 a 17 anos estão matriculados no ensino médio, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Apenas 38% dos jovens de 19 anos que conseguiram chegar a essa etapa de ensino no estado a concluíram e, entre eles, só 11,8% aprenderam o mínimo adequado em língua portuguesa, e 1,6% em matemática.

A renda média dos demais 79.576 jovens dessa idade que não têm o ensino médio completo é de menos de 500 reais por mês. O estado está condenando essas pessoas a um ciclo perverso de desigualdade.

No sistema carcerário do Maranhão, palco das atrocidades que chocaram o país nos últimos dias, a cobertura educacional é precária: a taxa de matrícula de pessoas com privação de liberdade era de apenas 5% em 2012, segundo dados do InfoPen (Ministério da Justiça). Aqueles que não chegaram ao fim do ensino médio somavam então 91%, e, entre eles, a grande maioria sequer completou o ensino fundamental.

É urgente que haja maior prioridade, atenção e ação para rompermos a situação de calamidade da educação no Maranhão há anos. Até quando vamos remediar desastres anunciados? Não seria o caso de o Brasil acordar de vez para a importância estratégica e humanitária da educação das nossas crianças e jovens? Resta alguma dúvida sobre qual é a área em que deveríamos estar investindo prioritariamente nossos recursos para mudarmos de patamar e conquistarmos um Brasil que seja realmente de todos?

Entre o urgente e o importante, chegamos ao ponto de ter que lidar com ambos ao mesmo tempo. A vida de muitas crianças e jovens depende de nós — uma parte muito pequena de pessoas privilegiadas que acordam de manhã e pegam o jornal para ler. Depende de nós demandar uma nova prioridade estratégica para o país de olhar o futuro de forma mais generosa para com toda a população brasileira, principalmente para aqueles que, mesmo sendo a maioria, têm pouca voz e influência.

Chegou a hora de a indignação se voltar para os milhões de crianças maranhenses e brasileiras cujo direito à educação é negado. FORA OLIGARQUIA.

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